sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Um Pouco de Amor Talvez – Parte II



por Darla em Com Moderação

Marianne

Leia a Parte I.

Marianne sempre viveu na capital. Seus pais tinham uma loja de antiguidades e conseguiam viver muito bem com as vendas. Era filha única, afinal é sempre bom se precaver nesses tempos estranhos. Estudou sempre no mesmo colégio, conviveu sempre com as mesmas pessoas, teve sempre os mesmos amigos. Sua vida começou a mudar no segundo colegial, quando conheceu Selene, uma baixinha de longos cabelos pretos e levemente acima do peso.

Selene se mudara do interior para a capital com os pais. Sua mãe resolvera virar sócia de umas amigas que tinham uma creche e seu pai recebera uma proposta de emprego numa empresa nova, mas promissora. Tornou-se amiga de Marianne no início do ano. As duas eram muito boas no basquete e passavam muito tempo juntos, mesmo depois dos treinos.

Anne, para os íntimos, ficou mais dependente de sua nova amiga do que imaginou ser possível. A toda e qualquer hora desejava vê-la, falar com ela, ouvir sua voz. Tais vontades evoluíram, claro. A toda e qualquer hora desejava tocá-la, sentir seu cheiro e seu corpo bem próximo. Percebeu bem rápido que sentia tesão por Selene, mas não demonstrou. Espera-se que as pessoas do interior não sejam muito compreensivas com assuntos tão complicados. Além disso, não conhecia sua nova amiga o suficiente para tentar adivinhar sua reação. O melhor a fazer, então, seria mesmo calar-se e omitir os sentires.

Selene, porém, não era idiota. Não demorou muito a perceber os olhares diferentes de Anne quando estavam sozinhas, apesar de não os notar quando tinham suas outras amigas perto. No início, não se incomodou nem deu a entender que notara, agia como sempre. Passado um tempo, porém, quis ver até onde o desejo de Anne a levaria. Quis testá-la, quis conhecê-la mais.

Começou com conversas sobre o assunto. Estavam fazendo pipoca para o lanche em sua casa e perguntou para Marianne se esta já tivera algum contato mais profundo com outras meninas; perguntou se conhecia alguém que já passara por isso; perguntou se Anne passaria. Anne disse “não”, “não” e “sim”. Selene então pediu um beijo. Anne beijou.

Para Anne foi bom, esquisito, mas bom. Os meninos beijavam de forma diferente, pareciam querer engoli-la. Selene não. Selene era calma, doce. Será que todas as meninas beijavam assim? Anne sentiu tesão. Muito tesão. Sentiu sua calcinha molhando quando sua amiga a puxou mais para perto. Ofegou. Respirou fundo. Controlou-se. Selene, porém, não o fez. Sentiu tesão também e foi atrás do que queria. Iria até o fim, se Marianne permitisse. E esta permitiu.

Com o pai na empresa e a mãe na creche, Selene não se preocupou com lugares. Encostou sua amiga no balcão do armário e apertou-a, tocou seu corpo onde pôde e mordeu o que encontrou ao alcance. Anne gemia timidamente com os avanços da amiga, mas não recuou.

Tocou a barriga de Selene, subiu aos seios, afastou o sutiã e apertou-os. Pareciam deliciosos, mas não teve coragem de beijá-los. Desceu a mão, foi até a bunda, até as coxas, até o sexo. Também não teve coragem de ir além. Deixou sua mão na cintura, onde era mais seguro. Excitara Selene, porém, com seus toques e sua amiga decidiu ir além pelas duas. Arrastou Anne para o sofá no cômodo ao lado e puxou-a para cima de seu corpo. Retirou as blusas das duas, o sutiã de Anne, abaixou a bermuda até os tornozelos e tirou a calça da amiga. Pôde então sentir o corpo de Anne quase por completo; suas mãos percorriam tudo que podiam, apertavam, traziam mais para perto. Moviam-se uma contra a outra com vontade de ir além, com desejo, necessidade.

Apesar de Selene ter dado o primeiro passo, foi Anne quem continou. Criou coragem, afastou a calcinha e tocou o sexo da outra. Molhou-se mais ao senti-lo também úmido. O instinto fez o resto: ela apenas penetrou. Ouviu Selene gemer, não sabia se de dor ou prazer, e continou. Beijava-a com violência, aumentava a intensidade nos movimentos com a mão e esfregava-se na coxa da amiga. Gozou rápido, sem nem ser comida. Mas não parou até sentir os espasmos na amiga que indicariam um orgasmo também.

Foi bom para ambas, exceto para a empregada de Selene, que teve de lavar a panela com milho de pipoca grudado e queimado no dia seguinte.

As duas começaram então um namoro, que não durou muito. Selene descobrira que gostava mais de homens e encontrou um namorado em pouco tempo. No final do ano, mudou de escola e Anne nunca mais a viu. A última coisa que ouvira de seu primeiro amor foi: “Não chore por mim e não me ame e você sofrerá menos”, ou algo assim.

Marianne seguiu o conselho, mas só depois de alguns bons meses, ao conhecer Karine na internet. O relacionamento também não durou muito, a outra era uma doida ciumenta e psicótica e, apesar de realmente gostar de Anne, não sabia dosar o ciúme e a vontade de controlar. Anne terminou, mas a outra nunca aceitou. Anne conheceu outras pessoas, namorou outras mulheres e outros rapazes também, claro, e Karine ainda assim não deixava-a em paz. Anne só conseguiu sossego quando Karine teve de se mudar para outro estado por causa dos pais. Foi nessa época que conheceu Christine.

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